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SEBASTIÃOe LUIS FELIPE

1°Sebastião Mendes

 

. O Testemunho de um filho

Os primeiros testemunhas recebidos da América em 1988 foram os de Sebastião e de César. O Sebastião não estava em Bordeus em Junho de 1940, porque estudava em Portugal. Mas, nascidos na América, aos 20 anos, ele e o irmão Carlos, alegaram a sua nacionalidade americana para juntar o exército da liberação. Uma vez a guerra acabada, no Natal de 1945, eles regressaram a Portugal, para ver a família e perguntar a cada um o que tinha acontecido em Bordéus.

Ele foi o primeiro a juntar os testemunhos dos que tinham ficado em Bordéus nesses momentos trágicos.

"Flihgt trought Hell", foi o seu primeiro livro.

Mas ele encontroudificuldades para distribui-lo. Em maio de 1954, depois da mortedo seu pai, ele fez um resumo esperando encontrar um jornalistainteressado em publicar a sua história. É precisamente estetexto que achamos útil apresentar:

"O meu desejo é deestar com Deus contra o Homem,
e não com o Homem contra Deus"
.

Era essa filosofia de umgrande homem que tive o privilégio de conhecer na minhajuventude. Era essa a sua fé e as suas palavras.

Ele era grande porque asua ideia da humanidade estava em causa. Ele achava que a guerraera um mal inutil. Ele era grande pela sua maneira de viver, e aomesmo tempo fraco como todos os homens. O que ele fez tornou-opara sempre ainda maior no coração de todos os que souberam dasua proeza

Ele chamava-se DoutorMendes e o evento acontece entre meadas de junho e julho de 1940.

Este homem era orepresentante diplomático de Portugal para o Sul da França naaltura da invasão alemã. Ele tinha recebido ordem do seugoverno de recusar a venda de vistosàs pessoas que nãopossuíam um visto de entrada nos três outros continentesmundiais. Esta ordem afectava especialemente os judéus: não sepodia, em nenhum caso, dar-lhes vistos. Era então impossivelarranjar estes vistos e o Doutor Mendes percebeu depressa queeste ordem não estava de acordo com aos cláusulas daConstitução portuguesa, que proibía questionar alguém sobreas suas crenças religiosas no território português. Esta ordemtambém era anticonstitucional porque a constituição portuguesagarante que Portugal arbitrará e cuidará dos refugiados degrandes catástrofes que poderiam acontecer nos países vizinhos.O escritório do Doutor Mendes, que levava a bandeira portuguesa,era considerado território português, e, como representante dogoverno português, devia aplicar a Constitução do seu país.

Encontraram-se mais de100.000 refugiadosde todas as nacionalidades que atravessáramtodas as provas para chegara Bordéus onde esperavam que oCônsul de Portugal abrisse as portas da salvação.

Estes fugitivos eram detodas as idades, muitos com as suas crienças pequenas, ou com osseus pais doentes . Muitos seriam executados se calhavam nasmãos dos alemães, porque eram judéus ou membros de antigosgovernos européus e comités anti-nazis. Quando ouviram que nãoseriam autorizados a sair da França, todos caíram na afliçãoe alguns se suicidaram.

O Doutor Mendes, pai dequatorze filhos ainda na escola e que não tinham outra fonte derendimentos do que a situação, sacrificou a sua carreira, o seufuturo, o futuro da sua mulher e dos seus filhos para que outrostalvez pudessem viver uma nova alegria. Ele recebeu relatóriossobre a miseria em que essas pobres pessoas viviam, sobre a mortecerta de alguns, e o internamento dos outros. Ele mandou umtelégrafo ao seu governo a pedir a autorização de deixarentrar em Portugal esses milhares de refugiados. Quando o seugoverno recusou, ele assegurou pessoalmente que nehuma pessoadesejando sair da França fosse abandonada. Com a ajuda da suaequipa e e de dois dos seus filhos, ele ofereceu todos os vistos. Alguns dias depois, o Embaixador de Portugal em Madrid,seguindo as ordens do governo de Lisboa, foi a Bordéus e ordonouao Doutor Mendes de segui-lo até Lisboa para assumir o seu gestoface ao governo.

No entanto, vendo que osrefugiados não deixaram partir o Doutor Mendes, os dois homenstiveram de sair discretamente. A chegar em Hendaye, a fronteirafranco-espanhola, eles encontraram refugiados bloqueados, nãopodendo entrar no territorio espanhol porque, de acordo com ogoverno português, as autoridades espanholas tinham fechado afronteira.

Provavelmente inspiradopor Deus, o Doutor Mendes disse aos refugiados para seguir o seucarro e conduzi-os até um outro ponto de de passagem dafronteira onde as ordens do governo não tinham chegado. Assim osrefugiados entraram em Espanha e com eles o seu benefactor, oDoutor Mendes. Como os refugiados começavam a chegar a Portugal,as autoridades começavam a construir campos de concentraçãopara mantê-los aí. No entanto, o número dos refugiadosultrapassou de longe as previsões e tiveram de renunciar à suaintenção. Depois disso, alguns refugiados foram presos emLisboa por vàrias razões ridículas e enganosas.

O Doutor Mendes foidespedido. Portugal e o seu governo receberam sem vergonha e comgratidão todos os parabens que vieram de todo o mundo, paraelogiar uma acção que tinha energicamente combatido e pela qualtinha sancionado um grande homem.

Temos de acrescentar queenquanto pude, o Doutor Mendes alojou e deu de comer durante maisde dois meses e meia a 25 ou 30 refugiados. Neles encontrava-se afamilia do Sr.Vleescuauwer, membro do Cabinet de Belgique. Entreos númerosos refugiados que foram à sua casa, havia algunshomens eminentes tal como o Van Zeeland e Camu tambem do CabinetBelge. Estes últimos foram a casa do Doutor Mendes com muitogratidão, sabendo que o Doutor tinha feito não só para eles,mas tambem para milhares de outros, de inúmeráveisnacionalidades.

O governo português tirouos louros todos, enquando o grande benefactor e toda a suafamília foram tratados de uma maneira miserável e abandonadospor todos. De facto o Doutor foi separada da sua família. Foi oresultado da sua acção altruista. A sua mulher morreu dedesgosto, de amor e de preocupação com o seu marido e os seusfilhos. A família dispersou-se. Nos dozes filhos vivos, seisforam nos Estados Unidos e ao Canada, um ficou em Portugal e osoutros emigraram para vários territorios da Àfrica. Muitosconheceram então a miséria e o desgosto. Isto sem contar com asdesgraças que sofreram. Foi o preço a pagar pela acçãoaltruista do seu pai, e a consequência directa da sançãoinflingida ao Doutor Mendes pelo governo português. Se o DoutorMendes não tivesse tido uma estatura moral tão grande, a suafamília teria continuado a ser feliz e próspera. Muitosrefugiados teriam sofrido as consequências.

Hoje, provavelmente vivose felizes, os antigos refugiados não pensam nestes diastrágicos do passado. Eles ignoravam e ainda ignoram que um sóhomem pensou neles e salvou-os.

Hoje o homem quesacrificou tudo o que tinha morreu, está enterrado e esquecido.Ele não se arrependeu de nada e morreu em verdadeiro cristão.Será que era maluco sacrificando ainda tudo? A resposta está emcada um de nós quando tentamos em julga-lo.

Eu sei tudo isso, e muitomais, porque sou um dos doze, um dos seis que foram para ohemisfério ocidental. Eu era, e sou o seu filho. Toda àmaneira, afirmo orgulhosamente ter tiodo a sorte de nascer de umtal homem.

SebastiãoMendes, Maio de 1954.

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  No capitulo VI do seu livro : "Um Homem Bom", de Rui Afonso, encontramos a tradução dum passo de Sebastião, relativo a decisão do seu pai, neste dia 17 de Junho 1940. É igualmente um narativo importante no qual ele se refera:

..."Nesse momentoabriu-se a porta que dava para o gabinete do cônsul e ali estavao Cônsul, Dr.Sousa Mendes. Tinha um ar grave, com olheiras emvolta dos olhos. O cabelo tornara-se completamento grisalho,quase branco como a neve . Com ele estava a esposa. Ficaram alide pé por momentos, Estávamos todos sem fala. Até o professorde francês, que apenas aiguns segundos antes estava em tãogrande agitação, estava agora sentado e contemplava o Dr.Mendes.

. . . . . Passados alguns secundos, o Dr.Mendes falou: "Como informei toda agente, o meu governo recusou terminantemente todos os pedidospara concessão de vistos a todos e quaisquer refugiados. Todaestá agora em minhas mãos, para salvar os muitos milhares depessoas que vieram de todos os lados da Europa na esperança deencontrar refúgio em Portugal.

. . . . Todos eles são seres humanos,e o seu estatuto na vida, religião ou cor, são totalementeirrelevantes para mim. Alem disso as cláusulas da Constituiçãodo meu país relativos a casos como o presente dizem que emnenhuma circunstância a religião ou as convicções políticasde um estangeiro o empedirão de procurar refúgio no territórioportuguês. Eu sou cristão e, como tal, acredito que não devedeixar esses refugiados sucumbir.

. . . .. Uma grande parte d'eles sãojudeus, muito dos quais, são homens e mulheres com situaçõesproeminentes que, devido à sua posição social, como dirigentese outros, sentiram nos seus corações dever falar e agir contraas forças da opressão. Fizeram aquilo que em seus coraçõesera o que devia ser feito. Agora querem ir para onde possamcontinuar a sua luta por aquilo que consideram justo. Sei que aminha mulher concorda com a minha opinião, e estou certo de queos meus filhos compreenderão e não me acusarão, se por darvistos a todos e a cada um dos refugiados, eu for amanhãdestituido do meu cargo por ter agido ...contra ordens que, emmeu entender são vis e injustas. E assim declaro que darei semencargos, um visto a quem quer que o peça. 0 meu desejo é maisestar com Deus contra o Homem do que com o Homem e contraDeus."

. . . . Voltando-se para o agente dapolicia que estava à porta, disse:"Peço que a sua garde cesse imediatamento. Deve permanecerapenas para manter a ordem. Não para evitar que alguém venhater comigo. Isso acabou. Vão e espalhem a notícia."

. .. . Aos filhos presente disse: "Nãosei o que é que o futuro reserva para a vossa mãe, para vocêse para mim mesmo. Materialmente, a vida não sera tão boa paranós como tem sido até agora. Contudo, sejamos corajosos etenhamos em mente que, ao dar a esses refugiados a possibilidadede viverem, teremos uma possibilidade mais de entrar no Reino dosCéus, por que, ao faze-lo, não faremos mais do que praticar osmandamentos de Deus.

. .. . Ao ser informado de que iam serdados [... vistos ], a multidão até ai deprimida de milhares derefugiados, agora cheios de júbilo, gritou :"Viva o Cônsul, viva Portugal."

. .. . A multidão até aí triste emelancólica estava agora num murmúrio constante. Sim, todosestavam a fazer planos...sobre o que iriam fazer. Iriam paraPortugal e dali para as colónias dos seus países e fazer apartir daí o que tinham a fazer. Iriam para Inglaterra juntar seaos restos dos exércitos dos seus países que tiham fugido paraali; tentariam até ir para o novo mundo - a América. Estavamagora de pé nas intermináveis filas, esperando a sua vez deentrar no consulado e obter o precioso visto, um bilhete para avida "...( pp 55 - 57)

...Os outros capitulos de "Flight trough Hell" ficam a espera dum tradutor...!
áá íííííí óóóóóúúúúúúú ááá

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2°Luis-Felipe lembra-se

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"Atendendoao seu pedido fiz um esforço para, em poucas palavras, descreveras mais longínquas recordações dos meus pais, dos meusirmãos, da nossa vida de família e dos acontecimentos deBordéus, até aos nossos dias, ou seja 1987.

"Nasciem 1928 em Tuí, pequena e antiga aldeia situada nas proximidadesda fronteira entre Espanha e Portugal.

"Omeu pai era então Cônsul Geral de Portugal na cidade de Vigo, oporto marítimo da Galiza. Vim ao mundo sendo o penúltimo dumafamília de 13 filhos. Os meus irmãos mais velhos contaram-meque fui um bebé bastante desejado e rapidamente me tornei nummenino mimado por todos os membros da família e assim como pelanossa leal e inesquecível governante Adelaide.

  "Entre os meus irmãos mais velhos havia 4 raparigas e sete rapazes tendo o mais velho 19 anos de idade.

"Nascidos em vários países, ao ritmo da carreira do meu pai eles foram educados em inglês e em português.

"A medida que eu crescia fui ouvindo grande variedade de historias exóticas de Zanzibar, de Quénia, do Brasil e da Califórnia .

"Cadaum dos meus irmãos conhecia o pais do seu nascimento. Entãohavia os Portugueses, os Africanos, os Brasileiros e osCalifornianos, eu era o Galego, por ter nascido na Galiza.

"Omeu pai era um português genuíno, orgulhoso da suaascendência, um personagem bastante sociável e sempre atentoaos problemas de cada um.

"Ele tinha um irmão gémeo, César. Ambos eram absolutamente idênticos, quando eram novos vestiam-se de igual e a sua grande semelhança provocava grande confusão na família e parentes, o que lhes causava um certo prazer.

"Um, era optimista e desenvolto (Aristides), enquanto que o outro era antes reservado, mesmo um pouco pessimista (César).

 

"Oseu pai era juiz no Supremo Tribunal da Beira Alta, uma dasprovíncias do norte de Portugal e o Direito era uma tradiçãono família.

"Aristidese César foram ambos diplomados em Direito, ao mesmo tempo e comresultados equivalentes. A Universidade de Coimbra era uma dasmais antigas universidades da Europa. Após terem praticadoDireito durante algum tempo foram os dois admitidos no CorpoDiplomático.

"Foitambém em Coimbra que Oliveira Salazar fez os seus estudos deDireito, alguns anos depois dos gémeos. Ele que, tempos depois,foi tão indulgente e injusto para com o meu pai devido à suaacção humanitária. Salazar era igualmente nativo da BeiraAlta, duma família bastante próxima duma nossa tia.

Aristidesera um marido e um pai extremamente afectivo, coração bondososob o disfarce duma autoridade proveniente da sua posição e dasua estatura. Era um homem corpulento, com um grande sentido dehumor, encontrando sempre tempo para um gracejo. A esposa, minhamãe, dedicou-se-lhe inteiramente assim como aos filhos e membrosda família. Do meu pai herdei o amor pela língua portuguesa.Vivendo em outros países que Portugal não era fácil ter aulasde português a não ser em casa. Minha mãe incitava-me a ler osclássicos e outros textos portugueses, com ela fazia análisesde textos e ditados.

  Cabanas de Viriato era uma pequena e encantadora aldeia onde toda a gente se conhecia. Esperávamos ansiosamente as férias para voltar a este lugar ancestral da província da Beira Alta. Na aldeia tínhamos a nossa propriedade familiar, a Quinta de São Cristóvão, uma mistura de estilo francês e português, com uma moradia amarela. A casa tinha um telhado de telhas vermelhas, umas águas- furtadas cinzentas e uma grande chaminé portuguesa sobre a qual dominava um galo ubíquo.

O lugar e a paisagem eram simplesmentemagníficos com a Serra da Estrela, as maiores e mais altasmontanhas do país, em segundo plano...

A nossa casa tinha três andares, cujasuperfície ao solo era mais ou menos de 20m por 40m. No rés dechão, havia a entrada principal com o brasão familiar pintadono tecto, assim como umas imponentes escadas que bifurcavamcontra uma galaria de vitrais multicores , um sítio para aleitura e o relaxamento.

Ao lado da entrada principal encontrava-se asala de jogos, a sala de jantar de todos os dias, a biblioteca euma sala de bilhar, e ainda outras salas e arrumações. Nosegundo andar havia a sala de jantar principal, com cadeirões debraços de coiro brasonados e a porcelana das grandes ocasiões,destinada a convidados de prestigio. No ultimo andar, havia osquartos e a sala das rezas.

À Cabanas de Viriato, encontrávamos osnossos primos, tanto os do lado do meu pai como os do lado daminha mãe. Estas famílias que também viajavam muito, tinhamsempre muitas histórias fantásticas e exóticas para contar.Resumindo, éramos uma banda de alegres folgazões ... gozava-mosde um estatuto social elevado, vivendo na abundância e seminquietações.

Em 1931, meu pai foi nomeado Cônsul Geralà Anvers, na Bélgica. Esta foi a mais rica e gratificantemissão da sua carreira. João-Paulo, o decimo terceiro filho dafamília, nasceu em Louvain, para onde tínhamos mudado,sobretudo pelas oportunidades que esta cidade oferecia, com assuas instituições escolares e universitárias. Os mais idososestavam nesta altura na idade de ingressar os estudosuniversitários, beneficiando ao mesmo tempo de outros aspectosda educação clássica da época, a pintura e a música.

Muitas vezes, os meus pais e o resto dafamília, se regalavam a ouvir concertos e recitais de família.Isso acontecia, geralmente, aos domingos quando recebia-mosamigos para jantar. Eram, normalmente famílias belgas, ou aindaamigos estudantes : canadianos, americanos, chineses, ucranianos... da Universidade de Louvain. Havia, igualmente , e não emmenor numero, amigos do Colégio (nível secundário) dos quaisos mais novos falavam flamengo.

A nossa habitação transbordava deactividades. O meu pai sendo, evidentemente, o chefe de família,projectava a imagem duma pessoa muito alegre, orgulhosa e semprebrincando, conversando de todos os assuntos do dia, com os jovense estudantes que gostavam da sua companhia...

E foi aqui, neste belo contexto quecomeçaram a aparecer, sobre a Europa, as primeiras nuvenssombrias do nazismo. Estava-se nos anos trinta e como muitagente, estávamos cada vez mais conscientes da tragédia que sepreparava.
Em 1936, nós havíamo-nos mudado para Anvers onde vivíamos naavenida Rubens, ao lado da avenida de Franca, onde o meu paitinha o seu gabinete, no consulado. Foi aí que a minha irmãIsabel, a segunda filha, se casou com um colega estudante belgada Universidade de Louvain.

A Anvers, o meu pai era também o Decano doCorpo Diplomático, por isso alguém de bem conhecido na cidade.Foi aí que a família tornou-se cada vez mais sensível ásdificuldades dos Judeus na Alemanha.

As viagens em família faziam-sehabitualmente de comboio, isto impunha-nos uma disciplinaespartana ... isso correspondia, nem mais, nem menos, ao deslocardum regimento. Foi por esta razão que meu pai converteu umcamião em autocarro familiar, ao qual chamava-mos "Expressodos Montes Hermínio ", outro nome da Serra de Estrela,segundo Hermes.

A família fez várias exaltantes atravésda Europa, varias idas e voltas a Portugal, e algumas vezes àAlemanha e à Dinamarca. Do aturo lado os honrados aduaneirosdinamarqueses não estando visivelmente habituados a ver umafamília tão grande num carro tão estranho, consultavam asautoridades da imigração durante mais duma hora, paraverificarem se éramos um grupo de malfeitores. Finalmentedeixaram-nos seguir para uma esplêndida viagem num dos paísesmais bonitos da Europa.

Em 1938, meu pai foi , novamente,transferido mas desta vez para Bordéus. Foi com muita pena quedeixamos a Bélgica, quase dez anos depois, deixamos a trás denós vários amigos com quem, ainda hoje, mantemos contactos. Foia bordo do nosso novo autocarro personalizado, que viajamos atéBordéus.

A residência familiar, estava situada àbeira do rio "La Garonne", nos Cais Louis XVIII, noandar por cima do consulado Geral de Portugal. Este sitio foimais tarde duma importância significativa no desenrolar dosacontecimentos pois tornou-se um abrigo para os refugiados quefugiam os nazistas.

A família apreciava bem a cidade desta região do Sudoeste da França, com temperaturas suaves, um clima ameno e outros vários encantos e atracções. Recordo-me dos fins de semana, em que saiamos visitar os palácios da região . Éramos mais ou menos 18 sentados no autocarro.

Um convidado frequente durante essas saídas, era o Senhor Redeuil, um homem idoso de 82 anos nessa época. O seu interesse pela cultura portuguesa tinha feito dele um convidado frequentador dos círculos portugueses de Bordéus.

 




 

 

 

 

 

 

 

do país,

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