Fundação Aristides Sousa Mendes

foi criada a 23 de Fevereiro de 2000.

A Fundação tem a sua sede provisória no Edificio Campos Lobo, em frente desta ruina do Passal) à Cabanas de Viriato - Carregal do Sal, e ele tel uma delegação em Lisboa, Rua Augusto Rosa, 66 -2°D 1100-059 Lisboa, www.fundacaoaristidesdesousamendes.com/

A Fundação Aristides de Sousa Mendes tem uma origem recente. Foi criada no ano 2000, depois de o cônsul ter sido reconhecido e reabilitado pelo Ministério de Negócios Estrangeiros, em 1988. Antes de mais, pretendemos perpetuar a memória de Aristides de Sousa Mendes e a sua acção exemplar, sendo alguém que arriscou a carreira diplomática, contrariando, por sua conta e risco, ordens superiores, em nome de princípios universais de solidariedade e de humanidade. A reabilitação foi um processo lento, que só ficou concluído catorze anos depois da queda do anterior regime. No entanto, achamos que ainda não está completamente terminada.

Para sobreviver à situação de destituição do cargo diplomático, o cônsul teve que desfazer-se da sua casa em Cabanas de Viriato que, assim, e desde então, entrou numa fase de ruína crescente, até hoje. Por isso, tudo fizemos para que a casa fosse adquirida pelo Estado, a fim de ser recuperada e reclassificada como Casa-Museu, coisa que começou a ser possível após a doação de 50 mil contos à Fundação pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, em 27 de Março de 2000. http://www.ipv.pt/millenium/Millenium25/25_16.htm

Depois de reabilitada, a casa irá conter o espólio do cônsul que temos estado a recolher e irá dar uma particular atenção à questão dos direitos humanos e à história das perseguições durante a II Guerra Mundial.

- Um Museu dedicado a Aristides de Sousa Mendes,
- Um Centro de Memória e arquivos,
- Une Biblioteca e um Centre de Documentação,
- Um Auditorio.
(...indispensável para acolher et permitir debates aos grupos visitantes deste lugar de memória.).

* Transmitir à gerações futuras, principalemente aos mais jovens a sua
herança moral.
* Promover, em colaboração com outros parceiros, os acontecimentos de ordem cultural e outras iniciativas...

Para mais informações ou exprimir as sua sugestões pela exploração deste casa, para que se torna um verdadeiro "Lugar de Memória", pode contactar directamente a Fundação : Rua Augusto Rosa, 66 -2°D 1100-059 Lisboa - Tel 21 887 90 90 - fundasm@hotmail.pt (Alvaro Sousa Mendes) ou Antonio Moncade de Sousa Mendes, Administrador lianstela@hotmail.com ( Por baixo desta pagina : Planta de Lisboa) www.fundacaoaristidesdesousamendes.com

. . . O "palacete" do Passal esta dominado por esta imensa estátua do Cristo Rei, que
Sousa Mendes tinha feita escultar em Louvain em 1933. Foi transferida de comboio, e por isso foi necessário dividi-la em 3 pedaços, ajustados uma vez no sitio com os meios limitados da época.

. . . .A generosidade e a força dos homens de Cabanas resolveu o problema..!
Junto à estátua uma placa memorisa o acontecimento. A partir desta colina vê-se a casa do Passal situada por baixo.
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"Aristides de Sousa Mendes foi reabilitado pelo Governo português em 1988. Consideram este processo concluído ou espera-se que o Estado se empenhe mais neste assunto?

"Consideramos que o Estado tem, neste domínio, várias obrigações. A primeira, de reabilitação de Aristides de Sousa Mendes, ficará concluída com a requalificação da casa do cônsul em Cabanas de Viriato. Mas, mais importante é, seguramente, a transformação daquele espaço-museu num centro cívico de estudo e de defesa dos direitos humanos. Visto desta maneira, o processo em que nos empenhámos ultrapassa largamente a reabilitação do cônsul e da sua casa e passa a ter um âmbito nacional e internacional indiscutível. Julgamos que a educação para a cidadania, sendo uma obrigação de todos, é também uma incumbência do estado democrático. Sabe-se que Aristides de Sousa Mendes é considerado por Israel como “um justo entre os justos”.


Nesta fotografia (New York 3 de Abril de 2000) reconhecemos: Maria Barroso, Presidente da Fundação e John Paulo Sousa Mendes, o filho o mais novo.
  Para além do reconhecimento da comunidade judaica de Israel, que outros sinais de impacto internacional têm tido esta reabilitação da figura do cônsul?

Hoje, a figura de Aristides de Sousa Mendes tem um reconhecimento, pudemos dizer, mundial, a par de outros “homens justos”, como Raoul Wallemberg. Nos Estados Unidos, no Canadá, na França, na Austrália, fazem-se homenagens e publicam-se livros sobre a sua acção de salvamento de judeus, em Bordéus". -Revista História 02/02/2005)

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  Na altura do 50° Aniversário da morte de Sousa Mendes, a Fundação editou uma bonita médalha . Ela é proposta a todos aqueles que aceitem ajudar-nos pela restauração desta Casa e a criação do Museu .  
Courrier international : Les dépêche 25 Février 2005

Mobilisation pour la création d'un musée
autour du "Schindler portugais
Un groupe de personnalités se bat depuis des années pour la création d'un musée consacré à la défense des droits de l'Homme, à la mémoire d'Aristides Sousa Mendes, consul portugais à Bordeaux (France) qui a sauvé des milliers de réfugiés au début de la Seconde guerre mondiale.
La propriété du diplomate, qui est aujourd'hui en ruines, "porte une charge historique qui doit être utilisée pour la création d'un musée", selon la présidente de la Fondation Sousa Mendes, Maria Barroso, épouse de l'ancien président portugais Mario Soares.
"Notre projet est de faire de cet endroit, un lieu de rencontre, destiné aux plus jeunes, afin de parler de l'action de ce diplomate (...) et de l'importance de la solidarité humaine", a expliqué à l'AFP Mme Barroso qui a mis sa notoriété au service de ce projet.
Ce musée pourrait comprendre "une section consacrée notamment aux nombreux réfugiés" qui ont transité par le Portugal pendant la Seconde guerre mondiale, précise Antonio Sousa Mendes, l'un des nombreux petit-enfants du diplomate.
"Nos principales difficultés sont dues à l'absence de fonds", souligne-t-il.
"Il y a eu plusieurs promesses et tentatives mais pour l'instant elles n'ont rien donné", observe Mme Barroso. "Nous devons à tout prix trouver une autre stratégie".
Après l'hommage rendu au diplomate par une vingtaine de pays en juin dernier, à l'occasion du cinquantième anniversaire de sa mort, l'Unesco évoquera à son tour son parcours en mai prochain à Paris.
Ces initiatives "doivent permettre de faire écho à notre projet", fait valoir Alvaro Sousa Mendes, un autre descendant du diplomate.
Décédé il y a un peu plus de cinquante ans, Aristides Sousa Mendes est surnommé le "Schindler portugais" en référence à Oskar Schindler, l'industriel allemand qui a sauvé des centaines de juifs de la déportation.
Aristides Sousa Mendes était consul du Portugal à Bordeaux (sud ouest de la France) lorsque la guerre éclate. Des milliers de réfugiés fuient vers le sud de l'Europe afin d'émigrer en Amérique.
Emu par leur détresse, le diplomate n'hésite pas à désobéir aux instructions du dictateur portugais Oliveira de Salazar, qui avait ordonné de refuser des visas d'entrée au Portugal.
Contrevenant aux ordres de Lisbonne, il ouvre les portes du consulat en juin 1940, puis travaille jour et nuit, pendant trois jours, pour accorder gratuitement des milliers de visas. Près de 30.000 réfugiés, dont 10.000 juifs, auraient été sauvés par le consul, selon les historiens.
Rappelé aussitôt à Lisbonne, il sera radié de la diplomatie pour désobéissance et meurt en 1954 dans le dénuement le plus total.
L'Etat portugais a fait un premier geste vers la réhabilitation du diplomate lorsque le ministre socialiste des Affaires étrangères Jaime Gama a décidé en 1988 de le réintégrer dans la carrière diplomatique à titre posthume et de racheter son ancienne propriété, tombée entre-temps en ruine.

Avec l'indemnisation versée par l'Etat d'environ 75.000 euros, les héritiers du diplomate ont créé en 2000 une Fondation. Mais, ils poursuivent un projet plus ambitieux: transformer le manoir familial de Cabanas de Viriato, près de Viseu (centre), en musée. La Fondation vit, depuis quatre ans, de donations ponctuelles et continue de faire appel à la générosité de donateurs, dans le monde entier.
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...Na quarta-feira dia 8 de fevereiro de 2006, pelas 15.30 no escritório do Director Geral da Unesco Senhor Koichiro Matsuura e em presença do mesmo, serão entregues os cheques dos 2 concertos realizados na Unesco pelo barítono português Jorge Chaminé, em prol da Fundação Aristides de Sousa Mendes e da organização Music in ME (Music in Middle East).

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DONATIVOS POR TRANSFERÊNCIA BANCÁRIA:

FUNDAÇÃO ARISTIDES DE SOUSA MENDES

NIB: 0036 0185 9910 0005 2212 1
IBAN: PT50003601859910000522121

Uma chamada transmitida pela Association Française Buchenwald Dora et Kommandos :

& le Comité National Français d'hommage à Aristides de Sousa Mendes
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A Acção humanitária de
Aristides de Sousa Mendes
na II Guerra Mundial"

Ed.Ministério dos Negocios Estrangeiros,
.Biblioteca Nacional
Fundação Aristides de Sousa Mendes.
Publicado pela occasião do fecho da celeberação do Cinquentenário
- Septembro de 2004.

(Sentimo-nos no direito de lamentar a maneira cuja Bibliografia foi redigida, ela pretende ignorar certas obras publicadas em França e nos USA, particularmente o livro de Sebastião, seu filho)

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Reunião da Fundação a Cabanas de Viriato

No Domingo 26 de Março tinha lugar em Cabanas de Viriato uma importante reunião da Fundação, com a presença do Embaixador de Israel em Portugal, Aaron Ram, ele visitou, a Casa do Passal, onde viveu Aristides de Sousa Mendes e onde ele acolheu no mês de Junho 1940 um numero importante de personalidades, e evitou que mais de 30 mil pessoas, a maioria judeus, morressem às mãos dos nazis."Visitou o imóvel, onde pretendemos instalar um museu evocativo da vida e obra do cônsul, e prometeu mobilizar o seu Governo e a comunidade judaica para contribuírem financeiramente para a sua reconstrução" onde esperamos colocar a sede da Fundação Aristides de Sousa Mendes.

  Com estudos prévios elaborados, um dos quais da autoria do arquitecto Alcino Coutinho, a reconstrução da Casa do Passal precisa de projecto e de mais de 1,5 milhões de euros.

"A Direcção-Geral do Património está disponível para elaborar o projecto, multidisciplinar, de uma casa que em 2005 foi classificada de monumento nacional. Mas continua a faltar dinheiro para as obras"..!."É um crime deixar cair esta casa. Já falei com a actual ministra da Cultura e acredito que algo será feito no sentido de a salvar da ruína", disse Maria Barroso, presidente da Fundação Aristides de Sousa Mendes.

Na secunda feira, à tarde, Maria Barroso participou nas comemorações do Dia Nacional dos Dadores de Sangue, assinalado em Cabanas de Viriato.

A escolha da terra de Aristides de Sousa Mendes para o encontro de dadores foi justificada, pelo presidente do Instituto Português de Sangue, com as semelhanças entre o "cônsul sem medo" e os milhares de pessoas que, sem esperar moeda de troca, "dão o seu próprio sangue para salvar muitas vidas de uma morte certa", enfatizou.

 

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A Sede provisoria da Fundação, 66 Rua Augusta Rosa 1100 - 059 Lisboa

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A Educação Nacional Portuguêsa deu o nome de Aristides de Sousa Mendes a esta escola EBI fundada em Cabanas de Viriato, em 1994

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Heroísmo de Aristides de Sousa Mendes homenageado em Museu Virtual
O "Diario de Noticias do 15-12-2005 anunciou-nos a criação deste Museu Virtual para o mês de dezembro de 2006

Aristides de Sousa Mendes vai ter um Museu Virtual em sua homenagem. A iniciativa que foi anunciada no dia 25 de Novembro, no Instituto Português da Juventude, pretende imortalizar o viseense que salvou mais de 30 000 vidas. A apresentação do futuro site foi dirigida pelas responsáveis, Luísa Pacheco Marques, Carla Serrão e Susana Chalante.

www.mv-sousamendes.cjb.net é o site que em Dezembro do próximo ano vai disponibilizar visitas ao Museu Virtual de Aristides Sousa Mendes. Este espaço, que será constituído por fotografias, vídeos e outros documentos, vai reunir factos históricos e testemunhos vivos de muitas das pessoas que sobreviveram à II Guerra Mundial graças a Sousa Mendese acordo com as responsáveis pela iniciativa, este não é mais um museu dos muitos existentes, que pretende mostrar o Holocausto e tocar pela desgraça. O Museu Virtual criado a pensar no embaixador português ambiciona “ser inovador” e exibir o acto heróico do cônsul natural de Cabanas de Viriato.

Ainda segunda as impulsionadoras, o Museu Virtual vai apresentar-se em fases. Como exemplos, “O corredor da guerra”, que relatará a Europa dos anos 40, com “imagens realistas da guerra e sons de bombas”, será um primeiro patamar que oferecerá uma experiência sensorial do que foi “o espaço claustrofóbico em colapso iminente” causado pela perseguição aos judeus. Outro exemplo do conteúdo do site, retratará o ambiente em que Sousa Mendes teve coragem para passar mais 30 000 vistos, assinando um papel para a salvação das pessoas.

Na sessão de apresentação do Museu em construção, tiveram oportunidade de intervir algumas das pessoas ligadas ao projecto. Para além das responsáveis mais directas, usou da palavra o governador Civil de Viseu, Luís Nuno (mestre e professor da Escola Superior de Educação) e Óscar Paiva (mestre e vereador da Câmara Municipal de Carregal do Sal).

O Museu Virtual de Aristides de Sousa Mendes conta com o apoio de várias entidades, entre as quais o Instituto das Artes do Ministério da Cultura, da Fundação Aristides de Sousa Mendes e do alto patrocínio do presidente da República e do primeiro-ministro.

Aristides de Sousa Mendes, um herói português

Vivemos numa sociedade que idolatra ídolos. O cinema vende á custa dos heróis, sejam eles criados e de pura ficção ou com base em factos históricos. Grande parte das vezes de sangue norte-americano, estes heróis cinematográficos cantam glórias e mostram como influenciaram o corso da história, ou tão somente traçam linhas de ideais. Aristides de Sousa Mendes foi um verdadeiro herói que salvou mais pessoas do que qualquer um dos que estamos habituados a ver nas telas do cinema. Somam mais de 30 000 as vidas que lhe serão eternamente gratas. Com a sua coragem, este herói português mostrou ter a raça digna de um país que em tempos cantou glórias.

Aristides de Sousa Mendes nasceu em 1885 em Cabanas de Viriato, distrito de Viseu. Filho de Maria Angelina Ribeiro de Abranches e do juiz José de Sousa Mendes, Aristides teve um irmão gémeo, César, que o acompanhou durante vários anos da sua vida.Como a sua família não era de fracas posses, Aristides e seu irmão tiveram a oportunidade de se licenciar em Direito, na Universidade de Coimbra. Com o canudo na mão, Aristides de Sousa Mendes iniciou a sua carreira diplomática em 1908.

Aristides desposa, em 1910, a mulher que lhe veio a dar 14 filhos, Angelina, que era, também, sua prima.

Entretanto, a situação politica em Portugal vai-se agravando. El-Rei D. Carlos e o príncipe herdeiros são assassinados. Como diplomata, Aristides acaba por ser nomeado Cônsul em Demerara, na Guiana Francesa. Com a revolução do 5 de Outubro e a consequente proclamação da Republica portuguesa, Aristides muda-se com a sua pasta de Cônsul, para Zanzibar, até 1916. Durante este período, os problemas de saúde abalaram toda a sua família. Ao nível do panorama político, estes anos ficaram marcados pelo início da I Guerra Mundial e a entrada de Portugal na mesma, a favor dos Aliados. Em 1918, com o terminar da guerra, Aristides é nomeado Cônsul em Curitiba, no Brasil, e acaba por ser castigado, pelo Governo de Sidónio Pais, pelas suas convicções monárquicas. Uns anos depois, entre 1921 e 1923, o Consulado de S. Francisco da Califórnia fica a seu cargo e nasce o seu 10º filho. Nos dois anos que se seguiram, Aristides passa pelos consulados de S. Luís de Maranhão e de Porto Alegre.

O regresso de Aristides de Sousa Mendes a Lisboa aconteceu no ano de 1926. O diplomata retorna ao seu país natal para prestar serviços na Direcção-Geral dos Negócios Estrangeiros e Consulares. A ditadura Militar, entretanto instaurada, remete Aristides para Vigo, como Cônsul, e mais tarde para Antuérpia, na Béglica, como Cônsul-geral.

Aristides de Sousa Mendes é condecorado decano do corpo diplomático por Leopoldo II, rei belga. Neste seguimento, Salazar nomeia-o, em 1938, Cônsul de Portugal em Bordéus. E é durante a sua presença aqui que Aristides de Sousa Mendes teve nas mãos a oportunidade de salvar milhares de pessoas, acto que ainda hoje o eleva como herói português.

As sucessivas investidas de Hitler contra vários países e a sua perseguição aos judeus e a todos aqueles que não encaixassem no perfil da proclamada raça ariana, faz com que milhões de pessoas tentem fugir. Salazar, que acumula a pasta de Ministro dos Negócios Estrangeiros, proíbe os consulados de passarem vistos aos refugiados. E é contrariando estas ordens que, em 1940, Aristides de Sousa Mendes, no Consulado de Portugal em Bordéus, passa mais de 30 000 vistos a judeus e minorias perseguidas pelos nazis. “Não participo em chacinas, por isso, desobedeço a Salazar”, disse um dia, porque “era realmente o meu objectivo salvar toda aquela gente”.

O seu acto heróico depressa chega ao conhecimento do Governo, Salazar acaba por condenar o cônsul a um ano de inactividade e aposenta-o sem direito a qualquer vencimento.

Já em 1945, e com o término da II Guerra Mundial, Aristides de Sousa Mendes endereça uma carta à Assembleia Nacional reclamando contra o castigo que lhe fora aplicado. O documento revelou-se infrutífero e, em 1948, a sua companheira morre.

O ilustre bravo português morre quase completamente desamparado no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa, no ano de 1954.

A coragem de Aristides de Sousa Mendes foi, mais tarde, em 1967, reconhecida e homenageada com a mais alta condecoração, por uma autoridade israelita. Yad Vashem, autoridade estatal de Israel para a recordação dos mártires e heróis do Holocausto, distinguiu Aristides com uma medalha que contém a inscrição do Talmude “Quem salva uma vida humana é como se salvasse um mundo inteiro

Portugal só reconheceu os actos de Aristides de Sousa Mendes como heróicos no ano de 1998, quando a Assembleia da República e o Governo procedem à sua reabilitação oficial.

Sara Fraga

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